Com Redata sancionado, o que falta para o Brasil entrar de vez na corrida global por data centers?
Data Center World Brasil reúne, de 6 a 8 de outubro, especialistas, empresas e representantes do setor para discutir os desafios de energia, regulação, investimentos e infraestrutura diante do avanço da IA
São Paulo, setembro de 2026 – Com a sanção do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), o Brasil dá um novo passo para atrair investimentos em infraestrutura digital. Os incentivos tributários, porém, são apenas uma parte de uma equação que envolve energia, capital, conectividade, regulação e uma demanda por capacidade computacional que cresce com a inteligência artificial. A questão agora é como transformar esse novo ambiente em projetos concretos e ampliar a participação do país na corrida global pela infraestrutura da era da IA.
Esse debate estará no centro da primeira edição do Data Center World Brasil 2026, que acontece de 6 a 8 de outubro, no São Paulo Expo, simultaneamente ao Futurecom. O encontro reunirá especialistas, executivos, operadores, usuários de infraestrutura, fornecedores, entidades e representantes do setor público para discutir os fatores que podem determinar a próxima fase de expansão dos data centers no país.
O momento coincide com uma mudança importante no ambiente regulatório brasileiro. O Redata foi sancionado em 15 de setembro, estabelecendo incentivos fiscais para a instalação e ampliação de data centers no país. Os benefícios são acompanhados de contrapartidas relacionadas a sustentabilidade, pesquisa e desenvolvimento e atendimento ao mercado nacional.
A legislação avança justamente quando a inteligência artificial amplia a necessidade mundial de infraestrutura computacional. Estudo da McKinsey aponta que a capacidade global dos data centers poderá praticamente triplicar até 2030, passando de cerca de 82 GW para aproximadamente 220 GW, impulsionada pela expansão dos ambientes hyperscale e pelas aplicações de inteligência artificial generativa.
“O Brasil vive um momento importante para definir seu posicionamento no mercado global de infraestrutura digital. O Redata é uma peça dessa discussão, mas a competitividade do país depende de um conjunto de fatores que passa por energia, regulação, conectividade, financiamento, sustentabilidade e capacidade de execução. O Data Center World Brasil chega justamente para reunir os diferentes agentes desse ecossistema e aprofundar um debate que terá impacto direto sobre os próximos investimentos e sobre o desenvolvimento da economia digital brasileira”, afirma Leonardo Benedicto, diretor do Data Center World Brasil.
Do incentivo à infraestrutura
Logo no primeiro dia, o painel “Infraestrutura digital como ativo geopolítico: competitividade, investimentos, regulação e o que precisa mudar” abordará o Redata, atração de investimentos, tributação e as condições necessárias para ampliar a competitividade brasileira.
Também no dia 6, o painel “Financiamento, viabilidade e expansão: por que projetos travam — e como viabilizar na prática” reunirá representantes do Ministério das Comunicações, BNDES, Brasscom e mercado de investimentos para abordar CAPEX, crédito, risco e financiamento de longo prazo. A discussão pretende mostrar por que alguns projetos avançam enquanto outros são adiados ou permanecem no papel.
A programação amplia o debate para as decisões de investimento associadas à inteligência artificial. No dia 8, “Expansão na era da IA: decisões que definem bilhões em investimento” discutirá os critérios que orientam projetos de grande porte e a capacidade de transformar demanda computacional em novos ativos de infraestrutura.
A perspectiva de quem contrata essa infraestrutura também estará presente. No End Users Panel – “Como grandes empresas escolhem data centers na prática”, executivos vão discutir como custo, risco, latência, disponibilidade, conectividade e capacidade de expansão influenciam decisões sobre infraestrutura crítica.
Brasil na disputa regional
A competição por investimentos também será analisada sob a perspectiva latino-americana. Em 7 de outubro, o LATAM Leaders Panel – “Data centers na América Latina: investimento, expansão e decisões de arquitetura” abordarão como Brasil, México, Chile e Colômbia vêm estruturando seus planos de expansão e de que maneira energia, ambiente regulatório, custos e conectividade internacional influenciam novos projetos.
A dimensão dessa cadeia também aparece no perfil das empresas reunidas no evento, com atuação em diferentes áreas ligadas à infraestrutura de data centers. Entre os patrocinadores e expositores do Data Center World Brasil estão INTI Inovação, Johnson Controls, Kingston Technology, MPT Fios e Cabos, Portex do Brasil, Schneider Electric, Springer Carrier, Tyconnex Consultoria, ACE Marketing, AFAPLAN, Pauta Distribuição, Rosenberger Domex, Saint-Gobain, Stauff Brasil, Termomecanica, Transformadores União, TrustedData, Vaisala Serviços e Vertiv Tecnologia. A presença de companhias de diferentes especialidades reforça o caráter multidisciplinar de um mercado que depende da integração entre energia, conectividade, climatização, engenharia, equipamentos e operação.
Com o Redata sancionado e a IA elevando a demanda por capacidade computacional, a discussão passa a uma nova etapa. O incentivo pode melhorar as condições para novos investimentos, mas a expansão efetiva dependerá da capacidade de combinar disponibilidade de energia, capital, conectividade, sustentabilidade, previsibilidade regulatória e velocidade de implantação.
Serviço
Data Center World Brasil 2026
- Data: 6 a 8 de outubro de 2026
- Local: São Paulo Expo – São Paulo (SP)
- Feira: 10h às 20h | Congresso: 10h30 às 17h30 Informações e inscrições: https://datacenterworldbrasil.com.br
Sobre o Data Center World Brasil
O Data Center World Brasil é a versão nacional de uma das mais importantes plataformas globais de conteúdo, networking e negócios para o setor de data centers e infraestrutura digital. Realizado pela Informa Markets, o evento conecta líderes da indústria, especialistas e fornecedores de tecnologia para discutir tendências, inovação, sustentabilidade e o futuro da economia digital.
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