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Gestão de Energia em Data Centers: Estratégias de Backup e UPS

A continuidade operacional de um data center depende diretamente da robustez de sua arquitetura de energia. Em ambientes de missão crítica, a gestão de energia não se resume a manter os servidores ligados; trata-se de garantir a qualidade da energia, a eficiência térmica e a resiliência contra falhas sistêmicas. Com a integração de cargas de trabalho de Inteligência Artificial, que demandam picos de energia constantes, as estratégias de backup e sistemas de UPS (Uninterruptible Power Supply) precisam evoluir para suportar densidades de potência cada vez maiores.

A Evolução das Topologias de UPS

O sistema UPS é a primeira linha de defesa contra distúrbios na rede elétrica, como surtos, quedas de tensão e interrupções totais. Para operadores de infraestrutura técnica, a escolha da topologia correta impacta tanto a confiabilidade quanto o custo operacional (OPEX).

  • UPS de Dupla Conversão (Online): É o padrão ouro para data centers. O sistema converte a corrente alternada (AC) em contínua (DC) e novamente em AC, isolando completamente a carga crítica de qualquer anomalia da rede externa.
  • UPS de Interação com a Rede (Line-Interactive): Embora mais eficiente em termos de consumo próprio, apresenta um pequeno tempo de transferência, sendo mais comum em edge computing ou instalações de menor porte.
  • Sistemas Delta Conversion: Uma variante que busca equilibrar a eficiência energética com a proteção total, reduzindo as perdas na conversão sem expor os equipamentos a riscos.

Estratégias de Redundância e Confiabilidade

A disponibilidade de um data center é frequentemente medida pelo seu nível de redundância. O planejamento deve considerar o ponto de falha único (Single Point of Failure) e eliminá-lo através de configurações estratégicas.

Configuração N+1 vs. 2N

Na configuração N+1, o sistema possui um módulo de reserva para cada "N" módulos necessários para suportar a carga. Se um módulo falha, o reserva assume. Já na configuração 2N (ou Redundância Total), existem dois sistemas independentes e paralelos. Se um lado da alimentação sofrer uma falha catastrófica, o outro sustenta a operação integralmente.

Redundância Distribuída

Esta estratégia utiliza múltiplas unidades UPS menores para alimentar diversas cargas, eliminando a dependência de um grande barramento centralizado. É uma solução que otimiza o uso do espaço físico e melhora a manutenibilidade, permitindo intervenções técnicas em partes do sistema sem afetar o todo.

O Papel das Baterias de Lítio (Li-ion) no Backup Moderno

A transição das baterias de chumbo-ácido (VRLA) para as de íon-lítio é um dos maiores avanços na gestão de energia em data centers.

  • Densidade Energética: As baterias de lítio ocupam até 60% menos espaço e são significativamente mais leves, o que alivia a carga estrutural nos pisos técnicos.
  • Ciclo de Vida: Enquanto uma bateria VRLA dura entre 3 a 5 anos, as soluções de lítio podem chegar a 15 anos, reduzindo drasticamente a necessidade de substituições frequentes.
  • Tolerância Térmica: O lítio opera de forma eficiente em temperaturas mais altas, permitindo que os gestores de infraestrutura aumentem o setpoint do ar-condicionado na sala de baterias, gerando economia de energia no resfriamento.

Integração com Geradores de Backup

Embora o UPS forneça energia imediata, o backup de longo prazo depende dos grupos geradores. A sincronização entre o UPS e o gerador é um ponto crítico. O gerador deve ser capaz de aceitar a carga do UPS (muitas vezes uma carga não linear) sem variações de frequência que forcem o UPS a permanecer no modo bateria.

O uso de geradores com partida rápida e a adoção de combustíveis mais limpos, como o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), têm sido pautas centrais para atender às metas de ESG e sustentabilidade no setor de infraestrutura digital.

Eficiência Energética e o Desafio da IA

Trabalhos de processamento de IA geram calor intenso e demandam transientes de carga rápidos. Isso exige que o sistema de gestão de energia (EPMS) e o sistema de gestão de infraestrutura (DCIM) trabalham em conjunto para monitorar o consumo em nível de rack.

O uso de "Eco-mode" em sistemas UPS modernos permite que o equipamento opere com eficiência superior a 98% quando a rede elétrica está estável, ativando a dupla conversão apenas quando detecta instabilidades. Esta prática é essencial para reduzir o PUE e otimizar a fatura de energia em instalações de grande escala.

FAQ: Perguntas Técnicas sobre Energia e Backup

1. Qual é a principal vantagem do UPS modular em relação ao monobloco?

O UPS modular permite o crescimento "pay-as-you-grow", onde novos módulos de potência são adicionados conforme a demanda aumenta. Além disso, facilita a manutenção "hot-swap", permitindo a troca de módulos sem desligar a carga.

2. Como o fator de potência impacta o dimensionamento do UPS?

UPS modernos possuem fator de potência unitário (1.0), o que significa que a potência em kVA é igual à potência em kW. Isso permite um aproveitamento total da capacidade do equipamento para as cargas de TI atuais.

3. O que é o tempo de autonomia ideal para um sistema de backup?

Em data centers com geradores, a autonomia do UPS costuma ser de 5 a 15 minutos, tempo suficiente para a partida e sincronização dos geradores. Se não houver geradores, a autonomia deve ser calculada para permitir um desligamento seguro dos sistemas.

4. Baterias de lítio são seguras para ambientes de missão crítica?

Sim, desde que equipadas com um Sistema de Gerenciamento de Bateria (BMS) avançado. O BMS monitora tensão, corrente e temperatura de cada célula, prevenindo o superaquecimento e garantindo a operação segura.

5. O que define um sistema de energia como "Tier III" ou "Tier IV"?

A classificação Tier III exige manutenção simultânea (sem desligar a carga), enquanto o Tier IV exige tolerância a falhas, onde qualquer erro técnico ou falha em um componente não causa interrupção nos serviços.